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Manchas na pele com alteração na sensibilidade? Pode ser hanseníase

Hanseníase, mal de Hansen, ou lepra, é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae

O que é?

Hanseníase, mal de Hansen, ou lepra, é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. É uma doença neuro-cutânea, ou seja, o M. leprae causa danos nos nervos e na pele. Por isso, as principais manifestações clínicas ocorrem como manchas na pele com diminuição da sensibilidade local. O Brasil é o segundo país com maior número de casos da doença, superado apenas pela Índia. Cerca de 30 mil casos novos são diagnosticados a cada ano, segundo a Organização Mundial da Saúde, e sua erradicação é uma de suas principais metas.

Como é transmitida a Hanseníase?

A infecção ocorre por inalação de gotículas de saliva ou de secreção nasal expelidas pelos doentes, porém esta exposição deve ser íntima e diária, e em geral a transmissão ocorre entre pessoas que vivem na mesma casa. Deste modo, é fundamental o exame clínico de todas as pessoas que moram com uma pessoa com hanseníase.

Historicamente, a pessoas com hanseníase sempre sofreram com o estigma que a doença traz devido às lesões de pele e às deformidades causadas por danos neurais, por isso é importante frisar que não há transmissão pelo contato com a pele, e que a doença é curável.

Quais são os sintomas da Hanseníase?

  • Hanseníase indeterminada: é a fase inicial da hanseníase. É caracterizada pelo aparecimento de uma mancha mais clara do que a pele normal, e pode surgir em qualquer lugar do corpo. Esta mancha tem diminuição na sensibilidade, e pode ocorrer queda dos pelos e diminuição da sudorese local. Após esta fase inicial, a imunidade do próprio indivíduo infectado pode curar a doença eliminando o bacilo espontaneamente. Caso a infecção persista, ela pode evoluir para uma das formas clínicas descritas a seguir.
  • Hanseníase tuberculóide: ocorre quando a imunidade da pessoa infectada consegue controlar parcialmente a doença. Nesta forma clínica, surgem placas ou nódulos avermelhados e endurecidos, bem delimitados, com diminuição da sensibilidade. Em geral, há poucas lesões de pele. Como há um controle parcial da infecção, esta forma é denominada paucibacilar, ou seja, há poucos bacilos no organismo.
  • Haseníase virchowiana ou lepromatosa: ocorre quando a imunidade não consegue combater o bacilo. Portanto, as lesões são múltiplas e disseminadas, podendo afetar outros órgãos além da pele e nervos, como olhos, mucosas oral e nasal, gânglios linfáticos, fígado, baço e testículos. Na pele, há infiltração difusa, com múltiplas placas e nódulos endurecidos. Pode ocorrer perda de pelos, inclusive das sobrancelhas, que é uma condição típica da hanseníase virchowiana, denominada madarose. Como o organismo não consegue controlar a infecção, os bacilos conseguem se multiplicar livremente, sendo esta forma denominada multibacilar.
  • Hanseníase dimorfa ou borderlina: é uma forma intermediária entre as hanseníases tuberculóide e virchowiana. É caracterizada por uma instabilidade imunológica contra o bacilo, gerando lesões de pele variadas: manchas e placas afetando múltiplos locais, e com acometimento precoce dos nervos levando a incapacidades físicas importantes. É considerada uma forma multibacilar.

As formas multibacilares (virchowiana e dimorfa) são as formas contagiantes da doença.

Como confirmar o diagnóstico da Hanseníase?

Testes de sensibilidade:

Sensibilidade térmica é testada com um tubo com água quente e outro com água fria, ou com algodão molhado com éter (frio) e algodão seco (quente). Coloca-se alternadamente os tubos ou algodões na pele sadia e área suspeita, e verifica-se a capacidade do paciente distinguir se está quente ou frio.

Sensibilidade dolorosa, utiliza-se um alfinete. Toca-se a pele do paciente com a cabeça ou a ponta do alfinete.

Sensibilidade tátil, toca-se com algodão a área suspeita e a pele sadia pedindo-se ao paciente que coloque o dedo no local onde ele sentir que o algodão está sendo aplicado.

Em todos esses casos, o paciente deve estar de olhos fechados durante o exame, para se avaliar a presença ou ausência dos diferentes tipos de sensibilidade.

Teste da pilocarpina: injeta-se pilocarpina na lesão de pele. A pilocarpina estimula a sudorese. Se houver alterações na inervação das glândulas sudoríparas, não ocorre sudorese com a injeção da pilocarpina.

Teste da histamina: a histamina é uma substância que causa a dilatação dos vasos sanguíneos, e está envolvida nos processos alérgicos. Neste teste, coloca-se uma gota da histamina na pele e faz-se uma pequena punção para que a substância penetre na pele. Caso não ocorra a vermelhidão esperada, suspeita-se de que o bacilo afetou a inervação que possibilita a resposta normal de vasodilatação.

Teste de Mitsuda: avalia a imunidade do indivíduo contra o M. leprae. É feita uma injeção de bacilos mortos na pele. Faz-se a leitura após 28 a 30 dias, considerando-se reação positiva o surgimento de nódulo ou ulceração no local. O teste é importante na classificação da doença e no prognóstico, tendo pouco valor no diagnóstico. Se ocorrer algum grau de inflamação, significa que a pessoa já entrou em contato com o bacilo previamente ao exame, e que desenvolveu algum grau de imunidade. Se não ocorrer reação alguma, significa que a pessoa nunca entrou em contato com o bacilo, ou que a imunidade não consegue responder à infecção.

Baciloscopia: é feito um pequeno corte superficial no lóbulo da orelha, raspa-se a lâmina na derme para coleta de material, e a lâmina é examinada no microscópio óptico à procura de bacilos.

Biópsia de pele: realizada quando há dúvidas com relação ao diagnóstico mesmo com os testes anteriores. Na biópsia de casos multibacilares, pode-se encontrar múltiplos bacilos íntegros infiltrando e pele e nervos.

Qual é o tratamento da Hanseníase?

Dependendo da forma da doença, o tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde varia entre 6 e 12 meses. O tratamento é gratuito, fornecido nos postos de saúde, e é feito com uma combinação de antibióticos.

Para a hanseníase paucibacilar, o tratamento dura 6 meses, com uso de dois medicamentos: rifampicina e dapsona.

Para a hanseníase multibacilar, o tratamento dura 12 meses, com uso de três medicamentos: rifampicina, dapsona e clofazimina.

Após este período, caso não haja sinal de doença ativa, o paciente é considerado curado.

Como se prevenir?

A prevenção pode ser feita mantendo-se uma boa alimentação e boa forma física a fim de se manter uma imunidade adequada. Desta forma, caso ocorra o contato com o bacilo, o próprio organismo se encarregará de eliminá-lo.

Também é importante que todas as pessoas que tenham contato próximo com pessoas com hanseníase sejam avaliadas, para se fazer o diagnóstico precocemente.