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Novo Tratamento de Enxaqueca Crônica : Botox

Enxaqueca Crônica

Aproximadamente 2% da população sofrem de enxaqueca crônica (ou migrânea crônica). Como o próprio nome sugere, a enxaqueca crônica ocorre quando as crises de dor de cabeça ocorrem muito frequentemente, por definição 15 dias ou mais por mês por pelo menos 3 meses. Esta condição geralmente ocorre devido a crises de enxaqueca que já eram frequentes e que não foram controladas adequadamente com o tratamento preventivo, indicado por médico neurologista.

O diagnóstico desta doença é eminentemente clínico, ou seja, através da entrevista com o médico. É importante que o paciente tenha um exame neurológico normal, e, se necessários, exames que descartem outras possibilidades para a dor (tomografia computadorizada de crânio ou ressonância magnética de encéfalo).

As principais características da enxaqueca crônica, segundo a International Headache Society, 2ª Edição, são:

  • Pelo menos 5 episódios, que preenchem os critérios b) a d)
  • Crises que duram de 4 a 72 horas
  • A dor tem pelo menos duas das seguintes características:
  • De um lado da cabeça
  • Qualidade pulsátil ou latejante
  • Moderada a forte intensidade (prejudica bastante ou impede as atividades habituais)
  • Agravada por atividades habituais, como caminhar ou subir escadas
  • Durante as crises, pelo menos um dos critérios:
  • Náuseas e/ou vômitos
  • Intolerância à luz ou ao ruído
  • Não atribuída a outra causa (p. ex.: tumor cerebral, meningite, etc.)

No caso da migrânea crônica, as crises acontecem com frequência igual ou superior a 15 dias por mês, por no mínimo 3 meses.

É importante ressaltar que a maior parte dos pacientes convivia com crises mensais, que com o tempo tornaram-se semanais, ocuparam a maior parte dos dias da semana e, em alguns casos, vieram a ocorrer diariamente.  Neste último caso, é comum o uso abusivo de analgésicos (dipirona, paracetamol, cafeína, relaxantes musculares, anti-inflamatórios, entre outros). A dor recebe então o nome de Cefaleia crônica por abuso de analgésicos, condição revertida somente com a suspensão dos mesmos e um programa de tratamento preventivo.

O consumo excessivo de cafeína, encontrada em cafés e refrigerantes, é fator importante para a perpetuação do problema; distúrbios ansiosos e depressivos são encontrados com maior frequência nesta população, indicando a necessidade de tratamento específico para que haja melhora da dor, e, por consequência, da qualidade de vida.

Cabe informar que o grau de comprometimento das atividades de vida diária é altíssimo nos pacientes com enxaqueca crônica; há perda de qualidade no trabalho (que pode significar estagnação na carreira), sem contar o prejuízo nas atividades sociais, familiares e de lazer. Com o tempo, um sentimento de frustração e impotência predomina, e a dor passa a atrair toda a atenção destas pessoas.

É comum que os pacientes procurem diversos outros especialistas antes de se dirigir ao neurologista. O público é levado a pensar que fatores colaboradores das crises são suas causas – como dificuldade visual, sinusite, dores de coluna cervical, disfunção de articulação temporomandibular, hipertensão arterial, entre outros – deixando de focar no problema principal, que é a própria doença chamada enxaqueca.

TRATAMENTO

Como as crises são muito frequentes na enxaqueca crônica, perde o sentido centralizar o tratamento da doença nos episódios dolorosos. Aliás, como já afirmado anteriormente, é a retirada dos analgésicos que poderá contribuir para a melhora da dor a médio e longo prazos.
Existem várias medicações que podem ser utilizadas para o tratamento preventivo da enxaqueca crônica, como anticonvulsivantes, antidepressivos, anti-hipertensivos, etc.

Mais recentemente, foi aprovada a aplicação de BOTOX® para esta finalidade, algo amplamente divulgado pela mídia. Sabe-se que com o passar do tempo, existe um aumento da sensibilidade das terminações nervosas da cabeça. Assim, o bloqueio da informação dolorosa com a toxina botulínica reduz a frequência e intensidade das crises. Em alguns casos, é possível diminuir ou até mesmo suspender os demais medicamentos que estão sendo usados para a prevenção da dor, embora o Botox® também possa ser utilizado como terapia inicial da enxaqueca crônica.

Ao todo, aplicam-se de 31 a 39 pontos distribuídos pela região frontal, temporal, occipital, cervical e trapézio. O BOTOX® revelou-se uma alternativa segura e efetiva, se o tratamento for indicado corretamente e realizado por médico neurologista com treinamento adequado. A aplicação não costuma ser dolorosa, e dura cerca de 45 minutos. Recomenda-se repetir o procedimento a cada 12 semanas, a fim de se obter o máximo efeito.

Além do uso de medicações, é indispensável que o médico ofereça ao paciente apoio para superar momentos difíceis que podem ocorrer durante o tratamento. Redução de peso em pacientes obesos, hábitos regulares de alimentação e de sono, condicionamento físico, técnicas de relaxamento, acupuntura e acompanhamento psicológico são opções não-farmacológicas.