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    Corrimento em Crianças

Minha filha tem uma secreção que suja a calcinha, devo me preocupar?

A queixa de corrimento na infância é motivo de quase metade das consultas com o ginecologista. É importantíssimo que essa secreção seja avaliada por um profissional habituado à consulta ginecológica de crianças, pois uma abordagem correta é fundamental para o sucesso do tratamento. Muitos médicos, ás vezes despreparados para orientar estes casos podem tomar condutas intempestivas como, por exemplo, prescrever antibióticos sem necessidade logo na primeira consulta o que pode trazer a falsa impressão de melhora momentânea, mas com o retorno dos sintomas logo em seguida.


Mas porque as crianças podem ter corrimento?

Existem fatores que podem favorecer o aparecimento de corrimento nas meninas. São fatores anatômicos como grandes lábios menores, ausência de pêlos pubianos, pele da região vaginal mais fina pela falta de hormônios que são produzidos apenas na fase adulta, proximidade da vagina com o ânus favorecendo a contaminação. Além disso, existem os fatores que podem ser modificados como higiene inadequada, uso de roupas apertadas e de material sintético, irritantes locais como perfumes, cremes, sabonetes, etc. Existem também fatores como diabetes e uso de corticóide, além, infelizmente, do abuso sexual.


E minha filha deve fazer algum exame?

O mais importante é ser avaliada por um profissional habilitado às questões ginecológicas da infância. Ele vai fazer várias perguntas específicas para cada situação (anamnese específica) além de exame clínico minucioso. Essas duas etapas iniciais da consulta são de extrema importância, pois baseado nessa avaliação inicial é que o médico vai fornecer as orientações rigorosas à serem seguidas e, se necessário, solicitar exames de secreção vaginal, exame de urina e fezes.


E o tratamento?

A etapa principal do tratamento é a orientação quanto à higiene local, uso correto do papel higiênico, de sabonete neutro, roupas adequadas, lavagem e secagem de roupas íntimas. Não aconselho o banho de assento, mas sim a lavagem da região vaginal com alguma substância específica para cada situação. O banho de assento, pela proximidade do ânus com a vagina, pode propagar bactérias e causar mais corrimento.


Mas não precisa usar antibiótico?

O uso de cremes e antibióticos fica restrito à casos específicos em que identificamos o agente etiológico. Para cada agente específico existe um antibiótico certo, na dose certa. O uso desnecessário de antibiótico pode até ser uma causa de piora do corrimento por agredir tanto as bactérias “boas” quanto as “ruins” e causar um desequilíbrio na parte imunológica da região vaginal.